quinta-feira, 28 de abril de 2011

Senhora da Lapa

        Diz a lenda que a imagem de Nossa Senhora da Lapa apareceu num penedo de difícil acesso, na Beira Alta.
       Os devotos construíram-lhe um templo num local mais acessível, mas a imagem da Senhora fugia para o seu penedo sempre que a punham na nova capela. Este facto insólito ocorreu tantas vezes que os devotos fizeram a vontade à Virgem e construíram-lhe uma capela no penedo.

      E a Senhora da Lapa lá está hoje, num sítio em que para a ver o crente tem de entrar de lado, por mais magro que seja. Curiosamente, o crente mais gordo de lado entra sempre.
     Um dos milagres atribuídos a esta Senhora é o que ocorreu com um caminhante que, adormecendo junto à capela, entrou-lhe na boca entreaberta uma cobra. Aflito, o homem acordou e imediatamente invocou no seu pensamento a Senhora da Lapa.
    Conta a lenda que a cobra imediatamente virou a cabeça para fora da boca, sendo depois apanhada e morta.

domingo, 29 de agosto de 2010

Padeira de Aljubarrota



BRITES DE ALMEIDA,


PADEIRA DE ALJUBARROTA


DERROTOU OS ESPANHÓIS




Mas "apenas" matou sete que estavam dentro do forno.
Fernando, filho de Pedro I e de Constança Manuel, cresceu e tornou-se rei. Ele, "mancebo valente, ledo e namorado, amador de mulheres e achegador a elas", sempre segundo Fernão Lopes. Fazendo jus a esta fama, enamorou-se por Leonor Teles, uma mulher casada e muito bela, que conseguiu desposar e tornar rainha depois de ter obtido a anulação do seu anterior matrimónio. Do enlace desta com o Formoso (assim ficou na História cognominado D. Fernando) nasceu uma única filHa, Beatriz, que viera a casar com o rei Juan I de Castela. Com a morte de D. Fernando, o rei castelhano achou-se com direito à coroa portuguesa e decidiu reivindicá-la. Segundo as leis da época, tinha razão, e a nobreza portuguesa de um modo geral pôs-se toda do seu lado. O povo, principalmente a população de Lisboa, é que não esteve pelos ajustes: revoltou-se sob o comando de D. João, mestre da Ordem de Avis (um filho bastardo do nosso velho conhecido Pedri I), matou o amante galego de Leonor Teles e elegeu o mestre Regedor e Defensor do Reino, andes de o fazer coroar Rei, como J. João I.
Juan de Castela invadiu então Portugal com um enorme exército de 30 mil homens, incluindo toda a nobreza, a cuja marcha se opôs uma pequena hoste de 6 mil portugueses comandada pelo, nosso recente Santo, Dom Nuno Álavres Pereira, nomeado Condestável (generalíssimo) pelo novo Rei. A batalha feriu-se em Aljubarrota, ao entardecer do dia 14 de Agosto de 1385. Surpreendentemente, os portugueses venceram, levando os castelhanos a uma debandada desorganizada.
Conta a lenda que sete desses castelhanos à beira de um ataque de nervos se esconderam no forno da padeira chamada Brites de Almeida que, autêntica mulher de armas, saíra para ajudar na batalha. Ao regressar a casa, Brites deparou com os indesejados hóspedes e matou-os uma a um com a sua pá de madeira.


Correram muitas histórias em torno da figura de Brites de Almeida. Diz-se que era algarvia, muito feia, forte como um touro e que vivera muitas aventuras, incluíndo a morte de um pretendente à espadeirada e a captura por piratas argelinos. Contudo, o que subsiste na cultura popular é a sua atuação em Aljubarrota. Toda a gente ouviu falar da "padeira" e a maioria dos portugueses pensa que foi ela quem derrotou os "espanhóis", na mais decisiva de todas as batalhas pela independência nacional.
Se é preciso encontrar um estratego da vitória, é claro, que ele é Dom Nuno Álvares Pereira, agora Santo, também um mito em si mesmo, já que congrega as componentes guerreira e também religiosa.
Foi tão rude o golpe sofrido pelos castelhanos em Aljubarrota que o país vizinho de Portugal tardou a recompor-se. Assinadas as pazes entre os dois estados, Portugal, definitivamente separado do tronco "espanhol" e geograficamente isolado da restante Europa, voltou-se para o mar-dando início a uma "viagem" de que só regressaria passando mais de cinco séculos.


in Revista Visão, 12 de Agosto de 2010, pág. 72. Por Mytus.